Sentido

A Busca de Sentido: Viktor Frankl e a Logoterapia

Por Dra. Maria Silva · 16 de fevereiro de 2026 · 7 min de leitura
A Busca de Sentido: Viktor Frankl e a Logoterapia

O Homo Patiens: O Ser Humano Que Sofre

Viktor Frankl (1905–1997), psiquiatra vienense e sobrevivente de Auschwitz, dedicou sua vida a uma pergunta fundamental: o que dá sentido à existência humana, mesmo nas condições mais extremas?

Sua resposta fundou a Logoterapia — a “terapia através do sentido” — e continua profundamente atual em um mundo que sofre não por falta de conforto, mas por falta de propósito.

A Vontade de Sentido

Diferente de Freud (vontade de prazer) e Adler (vontade de poder), Frankl propunha que a motivação primária do ser humano é a vontade de sentido — a necessidade de encontrar um “porquê” para a própria vida.

Quando essa busca é frustrada, emerge o que ele chamou de vazio existencial: uma sensação de tédio profundo, abatimento e falta de direção que hoje se manifesta em:

  • Burnout e esgotamento profissional
  • Dependências e comportamentos compulsivos
  • Depressão sem causa orgânica aparente
  • Sensação de que “nada faz diferença”

As Três Vias de Sentido

Frankl identificou três caminhos pelos quais podemos descobrir sentido:

  1. Valores criativos: O que oferecemos ao mundo — trabalho, arte, contribuição
  2. Valores vivenciais: O que recebemos do mundo — amor, beleza, natureza, encontros verdadeiros
  3. Valores atitudinais: A atitude que tomamos diante do sofrimento inevitável

“Quem tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como.” — Friedrich Nietzsche (citado por Frankl)

O Sofrimento Com Sentido

Frankl não romantiza o sofrimento. Ele não diz que o sofrimento é bom. Diz que, quando o sofrimento é inevitável, encontrar sentido nele pode transformá-lo de destruição em crescimento.

Isso não é “positividade tóxica”. É a possibilidade de manter a dignidade, a esperança e a liberdade interior mesmo quando as circunstâncias externas são adversas.

Logoterapia Hoje

Na prática clínica, a logoterapia nos convida a:

  • Ajudar o paciente a redescobrir o que dá sentido à sua vida
  • Trabalhar a responsabilidade como face inseparável da liberdade
  • Respeitar a singularidade de cada pessoa — o sentido é sempre único e intransferível
  • Olhar para o futuro com esperança realista, sem negar a dor do presente

Conclusão

A busca de sentido não é um luxo filosófico — é uma necessidade humana tão fundamental quanto respirar. Frankl nos ensinou que, mesmo nos momentos mais sombrios, a última das liberdades humanas é escolher a atitude diante daquilo que nos acontece.

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A terapia é um espaço de presença autêntica onde podemos explorar juntos o sentido da sua experiência.

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